Minha experiência com cursos on-line, pelo menos como professor, começou em 2002, quando junto a um colega programador montamos a um portal de cursos on-line. A ideia era dar cursos on-line nas áreas de design e arquitetura e o site chegou a abrigar um curso meu sobre como montar manuais de identidade visual, um da professora Helena Sordili sobre teoria das cores e um do Gustavo Lassala sobre design experimental.

Na época era muito difícil conseguir temas e professores, pois a montagem de um curso on-line significava não a montagem de uma aula virtual, mas sim a elaboração de uma apostila ultra-didática, passo a passo, completa e auto-explicativa, ou seja, um material textual maior, mais completo e mais didático que qualquer outra publicação ou livro sobre o mesmo tema. O desafio era grande para o professor, e muitos que se entusiasmaram com o projeto, desistiram no meio do caminho devido ao trabalho. Não tínhamos todos os recursos tecnológicos e didáticos de hoje e um curso on-line não era muito diferente de um curso pelo correio, exceto pelo fato de você baixar as apostilas do chat (em vez de recebê-las pelo correio) e mandar suas dúvidas por e-mail (em vez de por carta). A única grande inovação era o chat mensal que fazíamos com os alunos. Não era fácil manter o site ativo, e dar todo suporte por e-mail significava horas por dia de digitação.

Para o aluno também não era nada fácil. Ele precisava baixar as apostilas, estudar sozinho o conteúdo, fazer os exercícios e enviar ao professor e aguardar uma resposta. A troca de e-mails era lenta e as dúvidas demoravam a ser respondidas. Tampouco existia interação entre os alunos.

Não haviam aulas em vídeo. Vale lembrar que essa é uma época pré-youtube (que surgiu apenas em 2005 mas só decolou alguns anos depois). Mas isso não era um problema, até porque ninguém queria aulas em vídeo. Sim, isso mesmo! Na verdade recebíamos muitas dúvidas de alunos preocupados em saber se o curso envolvia aulas em vídeo pois se tivesse, não fariam o curso. Essa era a realidade de um número grande de pessoas com internet discada e mesmo aquelas via cabo, eram de baixa velocidade.

Mesmo assim dava muito certo. A Falta de boas publicações e tutoriais on-line os temas garantia uma boa base de alunos todos os meses. E tivemos alunos no Brasil inteiro, inclusive alguns morando no exterior. Alguns dos quais tenho contato até hoje.

Conforme o tempo foi passando, a solução de aulas apostiladas tornou-se pouco atrativa. Novas opções de educação a distância com vídeo começaram a surgir e o curso apostilado, embora ainda rentável, e sem concorrentes, parecia algo já antigo. No entanto, a viabilidade em vídeo ainda era pequena. As câmeras de gravação digital eram caras e as acessíveis não gravavam mais que alguns poucos minutos. Havia ainda a questão do suporte em vídeo no EAD que era caro e complexo de ser implementado. Outro problema era forçar todos os professores a refazerem totalmente seus conteúdos em novos formatos em vídeo.

Com o tempo entramos em um iato. Manter os cursos ainda era rentável, mas não frente a demanda de trabalho para manter o site ativo e as demandas de trabalho da Sebastiany. Em 2008 em concordância com todos encerramos o projeto.

Levaria mais 7 anos até voltarmos com cursos on-line.